• henriquefranke

Ciclos

Quando abandonei o bem sucedido emprego como engenheiro em Alagoas, em uma grande empresa do ramo de obras e serviços públicos, mais especificamente no ramo de saneamento básico, tinha certeza que um ciclo se encerrava e outro se dava início. Demorei a perceber que as coisas não são tão delimitadas assim como muitas vezes esperamos que elas sejam.

Naquela época, encerrava um ciclo para começar outro, aquele que chamei de Projeto #Everest2018. Um projeto que já tinha se iniciado antes mesmo de encerrar o ciclo anterior, e que imaginava iria durar até o dia que chegasse ao cume da montanha mais alta do mundo, e retornasse a salvo para casa. Tudo com data marcada, ou seja, em junho deste ano encerraria o ciclo que estava começando e então daria início a outro, ainda indefinido.


Hoje se completam 5 meses que cheguei ao cume do Everest, e quase 5 meses que este ciclo não se encerrou. Digo isso porque o acontecido não ficou para trás, a página não foi virada, e isso não é necessariamente ruim.

"A ficha" demorou a cair, os primeiros meses foram de readaptação. Readaptação à rotina urbana, readaptação a estar em casa, readaptação ao retorno. O que, por muitas vezes, acaba nos prendendo ao acontecido, principalmente quando tratou-se de momentos tão especiais como os vividos nesta expedição. E por isso algumas coisas que tinha pressa em fazer, e que precisavam ser feitas, acabaram não acontecendo no momento certo, ou da forma certa.

E hoje percebo que tudo isso aconteceu dessa forma porque tratava como acabado um ciclo que não havia terminado. Ainda não havia me dado o direito de celebrar, de curtir o acontecido, estava numa busca louca pelo próximo momento. Assim como percebemos muito claramente na montanha, precisamos curtir o momento presente também no nosso dia a dia, seja eles antes ou após as grandes glórias.


Desde então tenho trabalhado o início de novos ciclos, sem deixar abandonado, ou inacabado, o anterior. Pelo contrário, ele, junto com tudo que me ensinou, tem andado junto comigo, ajudando a construir o que está por vir. E sim, existem novos projetos em vista... mas isso é assunto para logo mais...


Queria falar aqui sobre como não construímos nossos momentos e projetos, enfim, ciclos, sozinhos. Quem acompanhou esta empreitada desde o início sabe que o que não faltou nisso tudo foi medo... medo de largar o emprego bem sucedido... medo de voltar pra "casa"... medo de não dar certo... além do medo inerente do montanhismo propriamente dito, mas não é de montanhas que falamos agora... enfim, medo de arriscar!

Mas se houve coragem para superar esse medo todo, ela, definitivamente, não foi fruto de forças sobrenaturais, ou sobre-humanas, como muita gente as vezes acha. Essa coragem veio de todos aqueles que, contrariando a maré (e alguns diriam que contrariando até mesmo o bom senso) acreditaram nesse projeto, no meu projeto. E, felizmente, não foram poucos... o que, acredito eu (nunca saberemos de fato), foi primordial para agora poder contar essas histórias.


Não quero falar aqui de assuntos clichês, como o apoio da família, porque a minha nunca mediu esforços ou fez menção de não estar junto comigo. Pelo contrário, desde que me conheço por gente, do seus jeitos, meus pais e irmãos sempre apoiaram, por mais ousado ou louco que fosse, e isso é impagável!

Quero falar aqui de pessoas "comuns", que ousaram sonhar comigo sem ter nenhuma ligação mais forte, como a ligação familiar. Pessoas que ousaram sonhar comigo simplesmente pelo fato de acreditar e querer ver alguém ultrapassar a barreira do comum e buscar sonhos não sonhados pela maioria das pessoas.

Quando buscava patrocínios, lá no início de 2017, os "nãos" foram muitos, para não dizer que foram tudo, tudo que aconteceu até aquele momento. Alguém julgava que estava sonhando muito grande, ou estava enlouquecendo. E quase cometi o erro de acreditar... Mas o jogo virou quando, por conselho de amigos, resolvi buscar ajuda das pessoas, pura e simplesmente, em um crowdfunding. Aí encontrei a ajuda de muitos amigos e conhecidos, mas também de pessoas que simplesmente acreditaram, independente de vínculos. E estas pessoas (todas elas, que de qualquer forma apoiaram), muito além do apoio financeiro, me deram algo impagável, me deram coragem... saber que não estava sonhando sozinho não tem preço!


E Henrique, o que ciclos tem a ver com coragem ou com quem te ajudou?


Como disse, ciclos da nossa vida não se iniciam necessariamente quando outros se encerram, e coisa nova está acontecendo. E está acontecendo porque a coragem injetada por toda essa gente continua fluindo...

E não seria justo comigo mesmo, nem com a grandeza do projeto, nem com a essência do montanhismo, se não reservasse este breve momento para agradecer, e trazer à tona, as pessoas que materializaram esse apoio no momento que ele era primordial. O significado da ajuda de vocês é muito maior que a minha conquista, porque sem o encorajamento que ela significou, possivelmente a conquista não teria acontecido, mas com certeza não teria o mesmo sentido!!!


Aqui vai o retorno prometido até agora nao explicitado..


Bandeira de cume, com nome de todos apoiadores!!

Muito obrigado.... a todos que pediram seu nome na bandeira

Karina Marckmann, Nelson Filho, Márcia Faermann, Jeferson Furtado, Nathália Scalco, Daniela Lugoch, Gustavo Papini, Cristine Bilous, Georg Herrmann, Vinicius Ferreira, Natália Pietzsch, Maria Isabel Blos, Carolina Heck, , Sascha Schlaad, Família Fengler dal Pizzol, Vitor e Pedro Caetano Diogo, Gabriel Magalhães, Ana Carolina Neujahr


E todos aqueles que o fizeram de outras formas...

Tomaz Brentano, Catiussa Colling, Eduardo Menezes, Bruno Scalco Franke, Gabriela Munró, Priscila Patel, Rodrigo Santolin, Jair Almeida, Gregório Rados, Carlos Leal, Camila Mallmann, Julia e Michael Frippiat, Mariana Viégas, Fabian Knapp, Priscila Magnago, Thiago Bertotto, Maria Cecília Zanetti, Felipe Flesch, Tiago Seyboth, Veronique Moens


Além dos patrocinadores e apoiadores institucionais, que deram ainda mais credibilidade a este projeto tão audacioso, e a quem tanto já agradeci...

Sicredi União RS, Ciee RS, Botolli, ArqSoft, MG Serigrafia, Cactus Ambiental e Noroeste



Nos próximos dias vem novidade por aí... este ciclo ainda não acabou, mas novos estão começando!!


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contatos

Henrique Scalco Franke 

+55 55 981374049 

henriquefranke@versuseumesmo.com