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Aprendendo com os outros: "O Meu Everest, Realizando um Sonho no Teto do Mundo", de Luciano Pires

  Início de julho tirei uns dias de "folga", aproveitei uma viagem a trabalho à São Paulo, colada com o aniversário de meu pai, seu Cláudio, e aproveitei pra dar um pulo em Santa Rosa/RS, recuperar as energias em casa e passar essa data com ele, depois de alguns anos passando longe. Pra ter uma ideia, ano passado estava no Vale do Condoriri, praticamente incomunicável. Bom demais, foram dias rejuvenescedores, acho que a família é o que mais sinto falta nessa vida de vagante.

   Mas digo isso pra contar que quem ganhou presente fui eu, rsrsrs. Na época estava lendo uma das biografias do Manuel Morgado, Sonhos Verticais, sobre sua escalada o Cho Oyu e ao Everest, que havia ganho de um colega de trabalho, Bezerra, sobre o qual falarei outra hora. E pra minha surpresa, dona Marisete, minha mãe, sempre antenada nas coisas que os filhos aprontam, andou buscando livros sobre escalada em altitude e me comprou um livro que relata o trekking campo base do Everest, feito por um jornalista, pessoa comum como nós, Luciano Pires, realizado em 2001 (arrisco dizer que um dos primeiros brasileiros não montanhistas a fazer esse trekking, se não o primeiro). "O Meu Everest, Realizando um sonho no teto do mundo".


"O Meu Everest, Realizando um sonho no Teto do Mundo", de Luciano Pires

Pois foi essa leitura que me interteu nas últimas duas semanas e meia nos momentos de folga. Leitura simples, o Luciano foi muito feliz em seu relato, pois retrata muito bem alguns sentimentos que tenho sobre as montanhas, e que, em especial, senti na escalada do Huyana Potosí, e por isso me identifiquei muito. Primeiro a imersão na cultura de um local tão inóspito e diferente da nossa realidade, e segundo a sensação de solidão (uma solidão boa) e bem estar, que o isolamento neste local nos dá. Apesar de ter se detido "apenas" ao trekking, e ressalto as aspas, porque já é bem mais puxado que muita escalada nas montanhas do resto do mundo, o autor experienciou todos desafios físicos e psicológicos que a montanha nos impõe em altitudes extremas, e foi muito feliz nas suas constatações. Recomendo muito a leitura.

   Quero transcrever um pedaço, no final do livro, que me chamou muito a atenção, principalmente pela identificação que tive, e que aparentemente quase todo mundo que já fez montanha deve ter. Se resume a sensação de que, ao retornar a casa, e tentar contar aos outros a nossa experiência, ela parece tão vaga e sem graça, parece que não conseguimos transmitir o que sentimos. Acho que é isso que acontece mesmo, o que se vive na montanha, apesar de ser meio solitário, é muito intenso e vívido, ao ponto de parecer sem graça quanto expressado em palavras: "Cheguei em São Paulo cansado, mas transbordante de satisfação. Eu não sabia, mas ali começaria a parte mais frustrante de minha viagem: a constatação de que, por mais que eu me esforçasse, por mais que mostrasse fotos, por mais que gritasse, gemesse, chorasse, jamais, JAMAIS, conseguirei passar para qualquer interlocutor mais do que uma pálida ideia das coisas que vi e vivi no Himalaia."  O Meu Everest, Luciano Pires, São Paulo: Geração Editorial, 2002   "Eu acho que o que realmente nos toca  é o que o Everest nos faz sentir sobre nós mesmos, estar lá, tão consciente de nossos corpos, do mundo que nos cerca e mesmo das pessoas ou coisas que não estão lá. O que o Everest nos dá é um estado de consciência que é muito difícil de explicar a qualquer pessoa que não tenha tido a mesma experiência." Alicia, em 'O Meu Everest, Luciano Pires, São Paulo: Geração Editorial, 2002'

    Tomo a liberdade de apenas corrigir a parte que fala sobre o Everest, e dizer que se traduz a qualquer montanha, pela minha experiência pelo menos. Não conheço o Everest, ainda, mas quando chegar minha vez quem sabe venha aqui corrigir este trecho.

   Luciano, caso um dia venha a ter acesso a esse humilde blog, me perdoe a liberdade toma em reproduzir livremente seu relato, mas me identifiquei muito. Mas não posso deixar de colocar aqui meu obrigado por ter compartilhado sua experiência, ótimo livro.   Acho que o título do livro retrata bem, as montanhas são tão mágicas, que tem a capacidade de, no mesmo lugar, dar experiências diferentes para cada um que se propõe a "desafiá-las", normalmente vinculadas ao nosso estado de espírito. E podemos trazer isso para a vida cotidiana, com as experiências "normais".

    E quero agradecer também aos meus pais, por essa constante preocupação em participar e procurar se informar sobre minhas desventuras. É muito bom saber que vocês compartilham desse ímpeto e vivem ele junto comigo, quando o poderiam estar julgando. Cada conselho e informação, como essa, que dão, me é de uma importância gigantesca, e me dá forças a continuar de uma forma que vocês nem imaginam!

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