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Trekking Cordón del Plata - Dias 1, 2 e 3

No post anterior contei um pouco para vocês como surgiu a ideia e como foram os preparativos desse primeiro roteiro #versuseumesmo, até nosso último dia em Mendoza. Agora quero contar pra vocês como foi esse roteiro.


Parque Aconcágua e um pouco de turismo

Saímos logo cedo de Mendoza, após o café da manhã, e percorremos os quase 200km da Ruta 7 até o Parque Provincial Aconcágua. O início do trajeto é muito bonito, pois ainda estamos na planície de Mendoza e aos poucos vamos adentrando a cordilheira, tendo imagens belíssimas das montanhas mais frontais, entre elas o próprio Plata.


Potrerillos é onde, para irmos ao Cordón del Plata, saímos da Ruta 7 e pegamos uma estrada vicinal até o refúgio, por isso aqui fizemos uma breve parada: como o Caio e a Jéssica também estavam de carro, optamos por deixar o carro deles por aqui, em um minimercardo logo antes de inicar a subida e próximo a rodovia, e irmos em um carro só até o parque. Esta região de Mendoza é muito utilizada como balneário pelos habitantes de Mendoza, por isso costuma ser bastante movimentada e segura, o que nos deixou mais tranquilos quanto a deixarmos o carro. Claro que, por garantia, conversamos com o dono do mercadinho antes.

A partir dali seguimos em um carro só.

A estrada é bastante sinuosa, e com trânsito relativamente pesado de caminhões, o que torna o trajeto por vezes lento. Sendo assim, depois de pararmos na Quebrada de Vacas, uma entrada alternativa para acessar o lado leste da montanha, chegamos em Horcones, na entrada do parque, aproximadamente ao meio dia! Fizemos check-in junto aos guarda-parques (tem que pagar uma taxa de ingresso), estacionamos e seguimos caminho.

A proposta desta parte do roteiro era termos a possibilidade de, além de conhecer a entrada de acesso a maior montanha das Américas, claro, caminharmos em altitude um pouco mais elevada do que a que dormiríamos a noite. Seguindo as trilhas possíveis com o permit diário de Horcones podemos caminhar por pouco mais de três horas, com um ganho de elevação de cerca de 150 metros, chegando até os 3.200msnm aproximadamente. Todos se saíram super bem, sem sentir muito os efeitos da altitude, e apesar do vento foi um dia agradável, com temperaturas altas.



Aproximadamente as 15:30h saímos do parque e começamos nosso retorno à Potrerillos. No meio do caminho paramos em um dos principais, senão o principal, ponto turístico da região, a Puente del Inca. Uma "ponte" natural formada pela deposição calcárias das águas termais da região, e que durante muito tempo foi explorada como balneário termal. Pelas 19h, bem mais tarde que o planejado, mas muito satisfeitos com o dia que tivemos, chegamos ao Refúgio San Bernardo, a 2.800msnm, aquele que seria nossa casa pelos próximos 7 dias!

Jantamos, organizamos nossos mantimentos e equipamentos num local só para nós (fora dos quartos para preservar a limpeza e o silêncio, uma vez que são quartos compartilhados, um refúgio de montanha) e não demoramos a nos recolher à dormir. Fomos surpreendidos por um calor inesperado nessa época do ano, e acabou que os sacos de dormir para -15 °C não fizeram muito sentido!




Dia 2 - La Veguita Superior, 3.450msnm

O nosso primeiro dia em Vallecitos foi destinado a uma caminhada de aclimatação. Tendo alcançado, no dia anterior 3.200msnm com pouco desnível, hoje era dia de subirmos um pouco mais, vencendo um desnível mais acentuado. Acordamos, tomamos café da manhã com calma, preparamos os lanches para o dia, e, sendo o primeiro dia de caminhada mais longa e técnica, gastamos um pouco mais de tempo auxiliando a todos a ajustarem corretamente suas mochilas, bastões de caminhada, melhor vestuário, etc.



Apesar de os haver orientado a caminhar lentamente na saída, a ansiedade era maior e saímos num ritmo um pouco apressado, o que não demorou a cobrar a conta, com pequenas paradas fora do programado ao longo de boa parte da caminhada. Fizemos nossa primeira parada um pouco mais longa com pouco menos de 1h de caminhada, logo após termos cruzado o primeiro arroio. Levamos pelo menos mais meia hora para chegarmos até a placa que sinaliza a entrada no Parque Provincial del Cordón del Plata. No total levamos 2h até chegar ao acampamento de Veguita Inferior, na mesma altitude de 3.200msnm que havíamos alcançado no dia anterior.

Em Veguita Inferior fizemos nosso segundo descanso mais longo. É um local muito propício a isso, e pudemos ter uma boa visualização do que seriam nossos desafios nos próximos dias: cerros Adolpho Calle, San Bernardo, Franke, acampamento Salto del Agua, ou seja, praticamente toda a região.



Como havíamos andado bem, prosseguimos a fim de cumprir a meta do dia, que era chegar em Veguita Superior. Achei que levaríamos cerca de meia hora, mas o desgaste do início da jornada cobrou seu preço dos nossos expedicionários, e começamos a andar cada vez mais lentamente. Pouco antes de chegarmos ao nosso destino há um trecho um pouco mais acentuado, e aí a altitude começou a afetar um pouco mais a Jéssica, que andava cada vez mais lentamente. Tentei explicar a ela que era um sentimento de cansaço maior do que ela já havia sentido, mas normal considerando as condições de altitude e quantidade de horas em atividade, porém ela dizia ter certeza que não conseguiria prosseguir. Como sabia que estávamos muito próximos, adotei a tática de estabelecer pequenas metas, e dessa forma, mesmo que mais lentamente, em cerca de 1h após nosso último descanso, alcançamos o objetivo do dia.

Há 3.450msnm tomamos um bom tempo de descanso, pelo menos 1h. Comemos, tomamos um mate (havia levado o jetboil para esquentar água), hidratamos bem, e logo depois todos já se sentiam muito melhores, a ponto de quase decidirmos tentar chegar à Piedra Grande, a 3.550msnm, mas para um primeiro dia já estava de muito bom tamanho. A ideia de fazer um descanso longo foi ficarmos mais tempo em altitude, além de desfrutar das condições de clima que estavam muito propícias, literalmente curtindo a montanha.

Nosso retorno levou pouco mais de 1:30, e chegamos ao refúgio perto da 16h da tarde. Fizemos um bom lanche, tomamos banho e ficamos descansando esperando o jantar que seria preparado pelo Luís, integrante do staff do refúgio.

O mais engraçado foi que este era apenas o primeiro dia, mas Caio repetia constantemente que estava muito cansado, mas que havia sido muito legal, que por ele se encerrássemos a expedição por ali já teria sido incrível. Ainda faltavam 6 dias.


Pequena correção de roteiro

Enquanto Luís preparava o jantar e os demais descansavam fiquei conversando com Sandra (proprietária do refúgio e irmã do Luís) e nosso cozinheiro sobre como nossa equipe havia se saído e próximos passos. Nosso objetivo para o dia seguinte, conforme roteiro, era escalar o Cerro San Bernardo, um cerro de 4.100msnm. Fui fortemente desaconselhado por eles, que são profundos conhecedores da região, pois apesar do incremento de altitude não ser tão elevado em relação a o que havíamos feito neste primeiro dia, era uma montanha tecnicamente muito mais difícil, ou seja, teríamos que sair muito mais cedo, e correríamos forte risco de não chegarmos ao cume, o que poderia abalar o emocional do nosso time.

Decidi seguir o conselho deles e alterar nossa programação para o Cerro Lomas Blancas, de 3.650msnm, mais fácil tecnicamente, aumentando nossas possibilidades de cume, e que nos possibilitaria tentar avançar um pouco mais caso andássemos muito melhor que o dia anterior.

Levei essa proposta/decisão para o grupo e ela foi prontamente aceita por todos, mesmo eles tentando me convencer que deveríamos, na verdade, descansar um dia. rsrsrs


Dia 3 - Lomas Blancas, 3.650msnm

Acordamos no mesmo horário do dia anterior, mas como havíamos deixado os lanches de trilha preparados, e o pessoal já estava mais habituado com a arrumação de mochilas, conseguimos sair um pouco mais cedo. "Vacinados" do dia anterior, começamos nossa caminhada de maneira mais suave, e mais constante.

Partimos rumo a antiga estação de ski da região, e após cruzá-la saímos do caminho principal e entramos já em direção à montanha que era o objetivo do nosso dia. A proposta era basicamente caminhar pela aresta desta formação até atingir o cume. Ou seja, a partir deste momento a subida ficou um pouco mais íngreme, com terreno menos marcado e mais pedras soltas!



Houve muita reclamação, muito choro, pedidos pra voltar! Em muitos momentos, em função dos pedriscos soltos, dávamos um passo a frente e dois atrás; em outros momentos cruzávamos trechos estreitos de trilha ficando na beira de grandes desníveis; isso pouco a pouco foi minando a confiança do pessoal, que antes de ir começou a se preocupar com a volta! Tinha um porém nisso tudo: sequer iríamos retornar pelo menos caminho, mas era difícil convencê-los. Com a confiança abalada caminhávamos cada vez mais lentos.

Era hora de agir, ou não atingiríamos o objetivo do dia. Já tinha tentado pedir para que se acalmassem, para pensarem no merecido descanso no cume, na sensação de vitória.. então usei da minha última "arma":

- "Pensem no próximo passo, e não na próxima hora! Aproveitem cada um deles, e deixem para se preocupar com a volta... a hora da volta!"

Apesar de ser quase uma frase de auto ajuda esse "conselho" surtiu efeito! Conseguiram deixar de se preocupar com o que estava ficando para trás e passaram a focar no que estava por vir! A grande vantagem nisso tudo é que montanhas como essa, pouco técnicas, quanto mais próximos estamos do cume menos inclinação temos, então as coisas começam a ficar mais fáceis!

Levamos mais ou menos 4h até o cume! Lá mais uma vez fizemos uma parada relativamente longa, com direito a chimarrão e um lanche surpresa que havia preparado! Gosto de aproveitar estes momentos para treinar, então não me importo de carregar um pouco mais a mochila!



Depois de quase uma hora de descanso, muitas fotos e celebração iniciamos nosso retorno. Seguindo as orientações dos nosso amigos do refúgio descemos pelo outro lado da montanha, pela aresta que conecta ao Cerro Arenales, até entrarmos na Quebrada del Estudiantes, pela qual descemos por cerca de 1:30h, até finalmente chegarmos de volta ao Refúgio San Bernardo!


Tiramos a tarde para tomar banho, descansar e planejar o dia seguinte! Nosso roteiro previa mais um dia de aclimatação, mas o grupo queria descansar! Mas esse post já tá muito longo, então vou deixar o desenrolar para o próximo!






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Henrique Scalco Franke 

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henriquefranke@versuseumesmo.com