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Teresópolis e Salinas - Dia 1

Continuando a preparação para o Aconcágua, quando conclui a Serra Fina comecei a pensar no próximo treino de montanha. A ideia já meio definida: fazer a travessia Petrópolis-Teresópolis, pelo PARNASO-Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, que há algum tempo vinha querendo fazer.     Inicialmente comecei a planejar para fazer com a Cláudia, mas não deu pra ela ir junto, então continuei a preparação e fui chamando amigos, pra ver se alguém encaixava com as datas que eu podia, na pior das hipóteses iria sozinho, afinal tinha ouvido dizer que era tranquila. Então conversando com Beto e Cyn, casal de amigos, que moram no RJ e conheci escalando em Santana do Ipanema/AL, eles encararam o desafio. A data seria para aproveitar o feriado de 7/set, mas como 7/set era uma quarta, fui convencido por eles a emendar logo a semana. Negociações para ajeitar a agenda no trabalho, e lá se foi a semana de férias que sobrariam para descanso após o Aconcágua, em janeiro... heheehe     Como diz a Cyn, o programa esquematizado pode se resumir a "treinamento do bopinho".. Dividiríamos a semana em duas, começando pelo PARNASO, conjugando a travessia com escaladas, com duração de 4 dias (a travessia normalmente pode ser feita em 2 ou 3 dias), e terminando com dias de escalada nos Três Picos de Salinas, no município de Friburgo.. Se desse tempo, fecharíamos a semana escalando alguma montanha clássica no RJ mesmo.

    Como planejado, dia 2/set embarquei pro RJ, chegando no Galeão as 18:15h. Fui direto pra casa do Beto e da Cyn, afinal tínhamos que consolidar a programação, arrumar as coisas, pra sair no sábado cedinho em direção ao PARNASO. Essa consolidação e arrumação durou "só" até as 3h da manhã, heheheh.


Parada na estrada, Dedo de Deus ao fundo

     Paciência, acordamos pelas 6h, tomamos café e saímos. Como não tínhamos conseguido comprar os ingressos pro parque pela internet, não adiantaria chegar antes das 8h porque a portaria estaria fechada. Subimos a serra, apreciando a paisagem, e pelas 8:30h chegamos na portaria do lado de Teresópolis. Lá descobrimos porque não tava dando pra comprar os ingressos, os refúgios estavam lotados para o final de semana. Lá vamos nós refazer a programação, contando com a "sorte" de minha barraca ter ficado no carro, e com a bondade da moça da portaria que nos ajudou a pensar numa solução, decidimos manter a programação, alterando apenas o local de dormida: ao invés de dormir no refúgio 4 por duas noites, acamparíamos no Paquequer por duas noites. Detalhe para o fato de estarmos em 3, e minha barraca ser para 1 pessoa, 2 em caso de muita necessidade; 3 veríamos na hora se entrava mesmo... ehhehe     Pronto, tudo alinhado, pagamos os ingressos (salgados diga-se de passagem) e começamos a subir, e aí entendi porque a Cyn chamava de "treinamento do bopinho": não bastava ser uma trilha, logo no início desviamos do caminho principal e entramos numa trilha alternativa, conhecida como Travessia da Neblina, com muito mais sobes e desces, trilha bem menos marcada e mais fechada, "ótimo" pra fazer com 23 kg nas costas (esse era o peso aproximado de nossas mochilas). Mas não posso negar, que a paisagem da travessia da neblina é infinitamente mais bonita do que da rota normal.


Parada pra descanso na Véu da Noiva, dá pra ter uma ideia do tamanho da mochila

Esse é o estilo de trilha da Travessia da Neblina

Lá pelas 14h paramos numa pedra conhecida como verruga do frade, onde tem uma via de escalada muito tradicional, e lá fomos nós encarar a via. Todo primeiro lance em chaminé. Beto guiou a primeira enfiada, e "em A", praticamente escalando juntos, seguimos Cyn e eu. Tinha dúvidas se já tinha escalado algo nesse estilo, logo que comecei já lembrei que não, só pela exigência física. Tanto que demorei pra pegar o jeito, e no fim das contas eu e Cyn demoramos um pouco mais que o esperado pra alcançar a primeira parada. Já eram umas 17h, então decidimos parar por ali e descer, afinal tinha um trecho razoável de trilha até o Paquequer, nosso local de camping.


Parada pra lanche, já bem alto, antes da Verruga do Frade

Ainda no descanso, com a Agulha do Diabo ao fundo, desafio do próximo dia

Continuamos a trilha, que passava pela subida de um costão de pedra significativo. Pra quem tá com as mochilas que estávamos, qualquer resbalão seria perigoso, por isso decidimos ir encordados, e lá fomos nós, escalada com mochila de trilha. Passamos com sucesso, e seguimos caminho. Chegamos na área de camping à noite, montamos acampamento, cozinhamos e bora dormir, afinal estávamos com apenas três horas de sono da noite anterior. E no domingo teria a escalada da Agulha do Diabo um clássico do PARNASO.      Pra completar, na janta tivemos companhia de ratinhos do mato. Sendo esses objeto de trabalho do Beto, biólogo, nos divertimos muito observando o comportamento deles. Mas na hora de dormir deu trabalho: como a barraca já ia ser pequena pra nós três, as mochilas teriam que ficar do lado de fora, ou seja, tinha que dar um jeito de afastá-las de nossos visitantes, ou seja, pendurá-las. Colocamos as capas de chuva nelas, para evitar molhar pelo sereno ou alguma eventual chuva, e penduramos em uma árvore. Tudo pronto, fila pra entrar na barraca e dormir: depois de entrar era melhor não sair mais, e de preferência não se mexer... rsrsrsrs

     Como estava muito cansado de não ter dormido e ter caminhado tudo que caminhamos nesse dia, os relatos do diário serviram apenas para relatar alguns principais sentimentos em relação ao dia, mas tá aí ele: "Saímos do Rio às 7h, chegamos no parque pelas 8:30h. As reservas para o refúgio 4, na Pedra do Sino, estavam esgotadas. Decidimos seguir o plano, mas acampando no Paquequer! Como íamos ficar no abrigo, só estávamos com uma barraca no carro.. paciência, vamos ver como será a noite hoje!    Iniciamos a trilha pelas 9:30h. Seguimos pela trilha principal uns 10 min além da cachoeira Véu da Noiva, depois desviamos para uma trilha mais bonita, direção a pedra da verruga do frade, onde íamos escalar.


Rapel da verruga do frade, com Agulha do Diabo ao fundo

A trilha bem pesada, inclusive quase na pedra precisamos de cordas. A escalada é em chaminé.. horrível!! Machuca muito, é pesado! Não conseguimos chegar ao cume, pois ficaria muito tarde. Mesmo assim fizemos uma parte da trilha no escuro até o Paquequer.    Chegamos, montamos camping, jantamos. Agora organizar a distribuição de 3 em uma barraca para 1, máx 2... rsrsrs     São 20h, indo dormir!" Paquequer, PARNASO, 03 de setembro de 2016


Placa em memória do conquistador da via!

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